sábado, 20 de fevereiro de 2010

Cansaço bom

Até recentemente não compreendia o porquê de tantas almas, logo cedo pela manhã ao fim-de-semana, a andar, a correr ou a passar de bicicleta, com uma expressão de realização tremenda, como se o cansaço resultante dessas actividades fosse a segunda melhor coisa do mundo, logo a seguir a... dormir, por exemplo.

Com as caminhadas apercebi-me que, estranhamente, pode ser muito revigorante consumir a energia que temos e não temos a subir escarpas, a descer valados, a transpor cercas e a atravessar povoados, carregando às costas o lanchinho da ordem e conversando sobre tudo e umas botas - que também fazem parte do equipamento base - com a companhia do dia.

Mas nem sempre o tempo propicia passeios do género, o que em parte me levou a comprar uma 'bina' que, por estes dias, tem tido efeitos fantásticos nos meus tempos livres. À bonita hora a que me deitei ontem já era hoje, bem cedo por sinal, mas nada que me impedisse de às 09h30 já estar equipada e pronta a explorar a Mata da Machada em duas rodas. Duas horinhas e pouco ao pedal resultaram em praticamente 15 km de exercício suado e algumas mazelas típicas, mas também numa sensação de cansaço bom, se é que pode ser explicado assim.

Já no fim-de-semana passado fiz um percurso pela zona ribeirinha do Barreiro que me deu um gozo tremendo, além de boas oportunidades para fotografias que em nenhum outro momento tiraria. Conhecem-se sítios que normalmente passam despercebidos e há que convir, parar literalmente onde nos apetece é excelente - e ninguém apita nem insulta.







quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Do livro de versos de Henley

Com "Invictus", Clint Eastwood volta a marcar pontos na minha cine-consideração. O homem insiste em trazer-nos boas histórias e quantas mais vemos, mais certos ficamos de que voltaremos a ver. "Mystic River" (Sean Penn, Kevin Bacon, Tim Robbins, Lawrence Fishburne), "Million Dollar Baby" (Hilary Swank, Morgan Freeman), "Changeling"(Angelina Jolie), "Gran Torino" (com o próprio Clint em cabeça de cartaz)... E recuei apenas um par de anos.

Neste caso, a sequência de abertura dá o mote a todo o enredo: África do Sul nos anos imediatamente pós-apartheid; Nelson Mandela atravessa de carro uma estrada que divide dois campos - de um lado, um grupo de rapazes brancos, equipados como deve, praticam rugby na relva sob direcção do seu treinador; do outro, um grupo de negros tresmalhados corre de pé descalço num campo poeirento, sem postes nem linhas. O comentário do treinador à agitação dos rapazes que festejam a libertação de Mandela não se faz esperar, curto e grosso. Genial. Com menos de um minuto de filme Clint Eastwood apresenta toda a envolvente política necessária à compreensão de largos meses de acontecimentos.



Morgan Freeman e Matt Damon são as estrelas de "Invictus" mas é em Mandela 'Madiba' que ficamos a pensar quando a fita acaba. Vinte e sete anos de pena com base em acusações relacionadas com o seu activismo anti-apartheid. Dezoito dos quais passados entre trabalhos forçados e uma cela de Robben Island. O primeiro presidente sul-africano eleito em eleições democráticas, entenda-se, representativas. Prémio Nobel da Paz em 1993. Um homem cuja contribuição para a paz e a tolerância no mundo não tem homóloga e que, contudo, não consegue arrancar uma palavra de compaixão ou um sorriso à própria filha.

O que seguramente me vai ficar dos 133 minutos de filme não é a vitória sofrida dos Springbok, nem tão pouco a dança maori dos All Blacks, mas a mensagem do poema do escritor inglês William Ernest Henley, de que 'Madiba' se apropria para inspirar um capitão de equipa e toda uma nação.


"Invictus"

Out of the night that covers me,
Black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.

In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.

Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds and shall find me unafraid.

It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Muito cuidado... Alguém pode estar a LER...

Logo agora que me tinha convencido de que podia achincalhar tudo e mais alguma coisa publicamente e em regime de perfeita e total impunidade, saem-se com esta... Não há direito!

Fica o artigo publicado pelo jornal Diário de Notícias a 27 de Janeiro último, no qual juristas da nossa praça discutem a possibilidade das sanções a comentários prejudiciais em redes sociais poderem ir de processos disciplinares a despedimentos... Mas não serão estas as conversas de café dos tempos modernos, já alguém perguntou...




domingo, 17 de janeiro de 2010

Um aviso, Lance: cuida-te!

Malta das duas rodas, prometido é devido! A Myka foi hoje testada em cenário real - aqui mesmo pelas redondezas - e há fotografias para começar a compor o álbum de quilómetros versão a pedal. No início é sensato não puxar demasiado pelo esqueleto, portanto, o percurso foi leve. Mas eu diria que comprar o jornal ao fim-de-semana vai passar a ser uma óptima desculpa para tirar o maquinão da garagem e tratar de tonificar os gémeos =)

















Foto 1: Arrábida? Serra da Estrela? Alpes??? Bring them on!
Foto 2: Subi o passeio e, surpresa das surpresas, não malhei!
Foto 3: Com o tio Zé, testemunha dos 1ºs metros de asfalto na Myka
Foto 4: "My precious..."
Foto 5: Tão limpinha... até quando?
Foto 6: Detalhe do quadro, já equipado com reservatório para a água
Foto 7: É tudo uma questão de... pernas!
Foto 8: Havin' fun baby =)

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Bykemania é aqui e agora!

É oficial e merece nota de destaque: comprei uma bicicleta!!! (Palmas) Apresento assim ao mundo a minha Myka - quadro de alumínio A1 Premium (geometria de senhora, claro), cassete de sete velocidades, travões V-brake, pedaleiro Shimano, pneus Specialized Fast Trak LK Sport, selim conforme medida óssea (é verdade, mediram-me mesmo) e pintura azul, como só podia.

E para todos aqueles que, lendo isto, achavam que finalmente se iriam livrar da minha presença nas incursões a pé, desmistifico: não, não vou desistir das caminhadas. Pretendo, simplesmente, diversificar as opções de actividade física, meios de locomoção e percursos possíveis. A exploração das redondezas ganha agora toda uma nova dimensão, bem como as dores no corpo logo no dia seguinte...



Próximas aquisições: calções e luvas. Se quero sobreviver às primeiras semanas de treino, nada como uns calções devidamente "acolchoados" nas zonas certas e umas luvas que protejam o meu instrumento de trabalho das cãimbras provocadas pelo frio.

Assim que seja possível trato da sessão fotográfica que o equipamento merece e partilho aqui algumas imagens da minha máquina. E claro, a haver quedas monumentais, também os cortes, raspadelas e nódoas negras terão o seu tempo de antena online...

P.S. - Capacete também já cá canta, estrategicamente oferecido no Natal pelo casal pipoca do Penteado =)

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

As bestas humanas

Aviso: a quem espera comprar bilhete para ver "A Estrada" e deparar-se com um popcorn moovie, desista e opte por outra película. A perspectiva agonizante de uma América pós-apocalíptica levada às salas de cinema por John Hillcoat (celebrado em No Country for Old Men) releva-se tão austera e desoladora que desafia o prazer da ída ao cinema. E contudo, dizer que se trata de um filme mau é tremendamente injusto.



Em última análise, este é um filme onde o intento de sobrevivência da condição humana é exposto de forma absolutamente arrepiante. Salva-se o amor incondicional entre um pai (Viggo Mortensen) e um filho (Kodi Smit-McPhee) que, uma vez confrontados com a dura realidade de um país/planeta totalmente devastado por um acontecimento cataclísmico - não explorado no filme - encontram numa caminhada rumo a Sul um objectivo e uma esperança de salvação.



Eis uma crítica que encontrei algures e que me parece fidedigna: "The Road is one of the most chillingly effective visions of the world's end ever put on screen - and a heart-rending study of parenthood to boot". De facto, imaginar o fim do mundo as we know it da forma que John Hillcoat o traduz não é tarefa difícil. Algo de terrível acontece. Toda a vegetação desaparece e não existem animais que sustenham os avanços da fome. As paisagens ganham contornos fantasmagóricos, em invariáveis tons de cinza e amarelo, e as cidades deixam de ter nome ou fronteira. Sobram farrapos de pessoas, feitas canibais, que não olham a meios para persistir. Uma lata de Coca-Cola numa máquina velha de refrigerantes é um achado de levar às lágrimas, enquanto que notas de dólar voam no chão, sem dono nem valor.



Interessante verificar que nem as personagens recebem nome neste filme, uma opção guionística que atesta o minimalismo pretendido para as vidas que retrata. A mãe (Charlize Theron) é recordada em flashbacks que enquadram e justificam a sua reacção de abandono e morte. O leque de estrelas termina com Robert Duvall, numa breve aparição em que representa um velho moribundo, em viagem pelo mesmo caminho que as personagens centrais.



No desfecho, a única crítica menos positiva que "The Road" me merece: alguma incongruência na aparição da nova família (e respectivo quatro patas) que prontamente se propõe a adoptar o rapaz (já órfão) e oferece ao público uma antevisão de fim quase "animadora". Embora se preferisse algo mais alegre, por exemplo, a dita chegada a Sul, não encontrei cabimento no desprendimento da mood melancólica que durante todo o filme nos deixou de coração pesado. Já dizia o outro, "finais felizes são histórias que ainda não acabaram"...

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

"Memories... la la la la la..."

Ora, responda quem souber. O que é que invariavelmente acontece quando nos predispomos a uma maratona de backups e duplicações de arquivos fotográficos digitais, num interminável chorrilho de Copiar e Guardar de tesourinhos deprimentes? Eu respondo. Acontecem longas horas passadas em janelas e cliques diante do monitor, acompanhadas de gargalhadas estridentes, ao recordarmos episódios que as fotografias só retratam numa infinitésima parte, mas que na nossa cabeça estão guardados tal qual filmezinho de Sam, com Mário Viegas e tudo.



Foi precisamente o que sucedeu comigo há uns dias, quando decidi não tentar o cansaço que o meu portátil já vai denunciando e arregacei as mangas para salvaguardar parte da biblioteca de imagens que, felizmente, aqui vai crescendo como mato.

Entre os meus preferidos está o álbum com as imagens captadas durante as férias de um grupinho impecável por terras do México, vai fazer em Outubro dois anos. Lembrar tiradas como "É preciso não confundir os hotéis" ou "Essa praia é só calhau" e revisitar alguns dos momentos mais hilariantes acabou por ser o ponto alto desse dia. Como esquecer a actuação de "Verde Vinho", do grande vulto do cançonetismo que é Roberto Leal, numa versão à la Nabo, devidamente aperaltado com óculos de mergulhador e flor de papel escarlate espetada no tubo respirador do kit de snorkeling... Escusado será dizer que a vontade de ligar de imediato a alguns dos "artistas" para repetir a palhaçada ao telefone foi grande, mas quis o destino que no mesmo dia fosse dar um giro com dois deles e o assunto viesse à baila.



Dois anos depois, algures por entre o andar de restauração do Almada Fórum...

" - Epá, é verdade, não fiquei com cópia das nossas fotografias do México!!! Tratas disso?"

Não só trato, como levo a coisa mais longe: "Hola, Hola", quanto é que V. Exas. me pagam para NÃO colocar aqui o verdadeiro best of de "figuras tristes" nunca antes vistas em terra de mariachis ? Aceitam-se licitações a partir dos 50€...

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

5... 4... 3... 2... 1...

A pouco menos de uma hora do final de 2009, recordo que há precisamente um ano estava eu e uma mão cheia de amigos nas montanhas de Skeikampen, perto do povoado de Lillehammer, na Noruega, numa jantarada iluminada pelo calor da lareira, enquanto os -14C do exterior se adivinhavam difíceis de suportar quando chegasse o momento de rebentar a garrafa e brindar ao novo ano - que daqui a pouco termina.

Hoje a festa é em casa, junto de quem mais importa. As cornetas já estão a ser testadas lá dentro e a máquina fotográfica impõe-se como utensílio indispensável para, como diz o reclame, mais tarde recordar...

2009 merece, antes disso, um balanço positivo. Familiares e bons amigos deram o nó, bébés, muitos bébés chegaram no bico da cegonha para nos encher a casa de fotografias lindas, e embora a situação global não tenha estado propriamente favorável a grandes aventuras, também este ano agendei aquela que se prevê ser uma das minhas maiores viagens de sempre: Perú! Pionés incontornável no mapa mundo que aqui tenho em frente...

Conto que 2010 seja um ano de grandes e boas mudanças... Será que deixando por escrito se concretizam mais depressa??? De uma maneira ou de outra, venha ele!

domingo, 27 de dezembro de 2009

"Sou ateu, graças a Deus!"

Há uns dias passei pelo cinema para ver um filme por mim algo antecipado - "Ágora", do realizador Alejandro Amenabar (também autor dos títulos Mar Adentro e The Others, para referir alguns).

Tratando-se de uma película claramente do "meu género", como outros depois rapidamente anuíram, o filme conseguiu, ainda assim, ser melhor do que esperava. Rachel Weisz (justamente oscarizada em O Fiel Jardineiro) oferece mais um desempenho excelente e a história, baseada em factos da vida de Hipátia de Alexandria (matemática e filósofa neoplatónica) reavivou duas ou três questões que, desde antes desse tempo e provavelmente para sempre, dividirão opiniões de forma mais ou menos acesa: a religião, o poder e a condição da Mulher.



Alguém um dia disse, em jeito de brincadeira (ou não) "Sou ateu, graças a Deus!" e não podia estar mais certo. As atrocidades e as injustiças historicamente documentadas que, hoje mesmo, continuam a dividir pessoas, povos, nações inteiras, estão no filme bem retratadas (até de forma gráfica). E no fim, tudo não passa de uma questão de poder. Quantos mais somos, mais força temos. Quem não está connosco, está contra nós. E quem não acredita ou defende o mesmo, não merece partilhar espaço comum.

Para Hipátia de Alexandria, uma mulher tremendamente à frente do seu tempo, não ver além do pensamento lógico teve consequências graves. A sua inconveniência reiterada valeu-lhe o rótulo de bruxa e castigo "a preceito". Mas pensando bem, de então para cá, pouco mudou. Não se despe, apedreja, arrasta pela rua ou queima na fogueira quem decide manter-se fora de esquemas hipócritos, mas permite-se tempo de antena global a "artistas" como Bento XVI, que em pleno século XXI, transmite ao mundo pérolas de Razão e de Sabedoria como as constantes na sua mais recente Mensagem de Natal.



"Fiel ao mandato do seu Fundador, a Igreja é solidária com aqueles que são atingidos pelas calamidades naturais e pela pobreza, mesmo nas sociedades opulentas. Frente ao êxodo de quantos emigram da sua terra e são arremessados para longe pela fome, a intolerância ou a degradação ambiental, a Igreja é uma presença que chama ao acolhimento. Numa palavra, a Igreja anuncia por toda a parte o Evangelho de Cristo, apesar das perseguições, as discriminações, os ataques e a indiferença, por vezes hostil, mas que lhe consentem de partilhar a sorte do seu Mestre e Senhor."

Aahh, realmente, assim tudo fica mais justificado e aceitável... Fala o Vaticano, antítese última da opulência, na pessoa de Sua Eminência, o Papa, personificação perfeita da solidariedade para com os desgraçados (que não calçam Prada). Eis senão quando esta personagem é derrubada por uma "lunática". A filmagem passa repetidamente em múltiplos canais de televisão e confesso, ri-me sozinha. De facto, nos tempos que correm, insolências assim fazem apetecer uma de duas coisas: desatar à gargalhada e desvalorizar ou saltar-lhe para os paramentos e apertar-lhe o pescoço. Terá o acto ficado a meio da intenção?

Festa que é festa é com o "casal bomba"

Acho que é justo partilhar que nunca fui admiradora entusiástica de casamentos. A azáfama dos preparativos, o enfado do cerimonial, o convívio conpulsório com desconhecidos que em ocasiões "normais" não chegaríamos a saber que partilham a crosta terrestre connosco, o longo rol de rituais e etiquetas que somos levados a achar "divertidos"... E a prenda? O que é que lhes damos de prenda?

Seja como for, quando uma determinada idade chega - apercebo-me eu agora - passa a ser comum a convocatória para eventos do tipo. Familiares, amigos, até simples acompanhantes que não se atrevem a enfrentar tal circunstância sozinhos decidem fazer a chamada fuga para a frente e batem-nos à porta, com um envelope onde automaticamente vemos selado o nosso destino para "o" dia. E que longo dia é.

Bonita perspectiva. Quadradona? Desmancha-prazeres? Melhor ainda, encalhada?!?!

Ora, desde há um ano, mais coisa menos coisa, que partilhei dos desejos e ansiedades de uma noiva que, precisamente ontem, celebrou o fim da sua "vida em pecado" - não deixou de lembrar o padre, face ao quotidiano íntimo já partilhado com o agora marido - numa comemoração que, pasmem-se as almas, veio amenizar minha perspectiva sobre o tema. Já lá chego.

Antes disso, fora com as ilusões. Levantar de madrugada, deixando o quentinho aconchegante da cama, para cumprir com a agenda de penteados e pinturas faciais é, at the very least, tortuoso. Mas em dias como o de ontem, é o que, inexoravelmente, acontece. E podia terminar por ali, mas não. Depois da produção "cinematográfica" (esta com os devidos direitos de autor), vem a colocação desajeitada da farpela previamente deixada de parte e a saída, já em pressa. Destino: a igreja, onde chegamos atrasados porque nem à terceira foi possível dar com o sítio. Uma vez lá, apercebemo-nos rapidamente que fomos dos primeiros e eis que outro pensamento cliché nos assalta: "Ao menos não fui a última... Mas da maneira que isto está por compôr, não se almoça tão cedo...".

Passadas as leituras, o coro - sim, houve gospel - e a troca de votos, a chegada à quinta onde é servida a refeição de dia inteiro marca os primeiros cocktails e simultaneamente, o preâmbulo da parte engraçada do programa: as bebedeiras de caixão à cova, as figuras ridículas na pista de dança (ao som de indispensáveis êxitos de outros tempos) e os amassos imprevisíveis que, no dia seguinte, só os mais sóbrios recordam, mas não divulgam.

Tornando uma história longa um pouco mais curta - o casamento de ontem, teve tudo isto e alguns extras - as empadinhas de algas, o tornedó SEM queijo (só para mim) e a cascata de chocolate amargo foram, na minha opinião, surpresas genuinamente apreciadas. Afinal Deus existe. E chama-se Rita!

Mas regressando ao que importa, o certo é que este foi o primeiro e único casamento a que assisti no qual TODA a gente se divertiu e isso fez a diferença. As avós e as tias, mais ou menos brancas mas todas velhinhas, dançaram freneticamente "Sex Bomb", o amigo vindo de Itália saiu do baile com a camisa encharcada e os sapatos pendurados no ombro pelo atacador, os primos conheceram "jeitosas" a quem oferecer os malmequeres arrancados às floreiras e eu, anteriormente incrédula, percebi então o porquê do nome "casal bomba" para a dupla principal e o justificativo para ajuntamentos do género.

Muito obrigado pela partilha, Rita e João. Continuem tal e qual, estão em grande!