"Porquê?" diz a mãe de todas as perguntas e aqui não é excepção... Porque foi assim que surgiu em mim, sem pretexto nem ambição. Porque nem tudo precisa de explicação. Acima de tudo, porque ALGUMA COISA pode surgir DO NADA. Até um blogue!
domingo, 20 de outubro de 2013
O rapaz do metro
O dia tinha sido longo, cheio, e ainda tinha pela frente o caminho de regresso a casa. Mas entrei na carruagem e dei-me por satisfeita ao encontrar um lugar onde me sentar até ser altura de mudar de linha.
O pensamento era este quando um rapaz entra e ocupa com uma das mãos o varão mais perto do meu lugar. Pelo ar não teria mais do que 15 ou 16 anos - cabelo curto, algo estouvado, blusa desportiva e calças penduradas abaixo da linha da cintura. Vinha entretido com o telefone. "Talvez tivessse saído da escola há pouco", ocorreu-me.
Nisto, ele vira-se e à minha frente fica a mochila que carrega em ombros. Sem marca da moda ou desenhos que reconheça. Sem crachás ou emblemas. Só uma frase escrita a marcador preto, em letras médias. "Amo-te muito".
Aquela imagem fez-me sorrir durante o resto do caminho. E achei que merecia um post.
O pensamento era este quando um rapaz entra e ocupa com uma das mãos o varão mais perto do meu lugar. Pelo ar não teria mais do que 15 ou 16 anos - cabelo curto, algo estouvado, blusa desportiva e calças penduradas abaixo da linha da cintura. Vinha entretido com o telefone. "Talvez tivessse saído da escola há pouco", ocorreu-me.
Nisto, ele vira-se e à minha frente fica a mochila que carrega em ombros. Sem marca da moda ou desenhos que reconheça. Sem crachás ou emblemas. Só uma frase escrita a marcador preto, em letras médias. "Amo-te muito".
Aquela imagem fez-me sorrir durante o resto do caminho. E achei que merecia um post.
Verdades ditas a brincar
Ia à espera de uma paródia familiar e foi exactamente isso que "A Gaiola Dourada" me proporcionou. Ruben Alves conseguiu levar à tela um filme honesto sobre estereótipos que reconhecemos como tipicamente nossos (portugueses) de forma divertida, e contudo, sem se deixar cair no banal.
Está lá tudo: a caixa de folha com biscoitos, os tremoços, a mini, os pastéis de bacalhau, o gaspacho, os tupperwares com enchidos - e isto só no departamento gastronómico! Amália omnipresente (ainda que desenhada a renda), "A Bola", o sofá forrado a plástico, Alcazar (perdão, Salazar), Quim Barreiros, as alcoveiteiras, o grelhador de rua, os brejeiros, as paisagens do Douro... Até o Pauleta aparece!
As interpretações cheias de sentimento de Rita Blanco (Maria) e de Joaquim de Almeida (José) dão corpo a dois emigrantes credíveis, trabalhadores incansáveis e, em certa medida resignados, que podiam perfeitamente ser muitos dos que se mudaram para França há duas gerações e todos os dias acalentam o sonho do regresso às origens.
Não me surpreende que esta fita, de vincada dimensão humana, tenha destronado alguns títulos de Hollywood tanto em Paris como em Lisboa nos últimos meses - a influência da nossa "marca" é obviamente sentida na cultura de ambos os países.
Está lá tudo: a caixa de folha com biscoitos, os tremoços, a mini, os pastéis de bacalhau, o gaspacho, os tupperwares com enchidos - e isto só no departamento gastronómico! Amália omnipresente (ainda que desenhada a renda), "A Bola", o sofá forrado a plástico, Alcazar (perdão, Salazar), Quim Barreiros, as alcoveiteiras, o grelhador de rua, os brejeiros, as paisagens do Douro... Até o Pauleta aparece!
As interpretações cheias de sentimento de Rita Blanco (Maria) e de Joaquim de Almeida (José) dão corpo a dois emigrantes credíveis, trabalhadores incansáveis e, em certa medida resignados, que podiam perfeitamente ser muitos dos que se mudaram para França há duas gerações e todos os dias acalentam o sonho do regresso às origens.
Não me surpreende que esta fita, de vincada dimensão humana, tenha destronado alguns títulos de Hollywood tanto em Paris como em Lisboa nos últimos meses - a influência da nossa "marca" é obviamente sentida na cultura de ambos os países.
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
Lisboa está cada vez mais Londres, mas com bom tempo!
Ontem levaram-me a descobrir o Brick Café - www.brickcafe.pt - na Rua de Moçambique, junto da Avenida Almirante Reis, em Lisboa.
Acolhedor em espaço, aprazível em música ambiente e com um sortido de opções que vai dos chás quentes/frios e sumos naturais aos scones, muffins e fatias de bolo, passando por alguns pratos mais substanciais (inclusivamente sopa e quiches), o Brick Café lembra-me muito o tipo de locais que facilmente se encontram em Londres, para marcar um chocolate quentinho e uma consulta no Wi-Fi gratuito.
A decoração é despojada e justifica o nome; uma parede de tijolo confere a cor necessária para não se pedirem muitos mais detalhes cénicos. Há uma máquina de café à antiga, um telefone dos primórdios dos TLP e uma mesinha onde se juntam alguns jornais e revistas para consulta. O serviço foi simpático, disponível e ligeiro. Recomendo!
Para os interessados, o brunch é servido das 11h00 às 15h00, nas versões pequena ou completa! Nham nham...
Acolhedor em espaço, aprazível em música ambiente e com um sortido de opções que vai dos chás quentes/frios e sumos naturais aos scones, muffins e fatias de bolo, passando por alguns pratos mais substanciais (inclusivamente sopa e quiches), o Brick Café lembra-me muito o tipo de locais que facilmente se encontram em Londres, para marcar um chocolate quentinho e uma consulta no Wi-Fi gratuito.
A decoração é despojada e justifica o nome; uma parede de tijolo confere a cor necessária para não se pedirem muitos mais detalhes cénicos. Há uma máquina de café à antiga, um telefone dos primórdios dos TLP e uma mesinha onde se juntam alguns jornais e revistas para consulta. O serviço foi simpático, disponível e ligeiro. Recomendo!
Para os interessados, o brunch é servido das 11h00 às 15h00, nas versões pequena ou completa! Nham nham...
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
terça-feira, 1 de outubro de 2013
A actualidade do poeta António Aleixo (1899-1949)
Acho uma moral ruim
trazer o vulgo enganado:
mandarem fazer assim
e eles fazerem assado.
Sou um dos membros malditos
dessa falsa sociedade
que, baseada nos mitos,
pode roubar à vontade.
Esses por quem não te interessas
produzem quanto consomes:
vivem das tuas promessas
ganhando o pão que tu comes.
Não me deem mais desgostos
porque sei raciocinar...
Só os burros estão dispostos
a sofrer sem protestar!
Esta mascarada enorme
com que o mundo nos aldraba,
dura enquanto o povo dorme,
quando ele acordar, acaba.
trazer o vulgo enganado:
mandarem fazer assim
e eles fazerem assado.
Sou um dos membros malditos
dessa falsa sociedade
que, baseada nos mitos,
pode roubar à vontade.
Esses por quem não te interessas
produzem quanto consomes:
vivem das tuas promessas
ganhando o pão que tu comes.
Não me deem mais desgostos
porque sei raciocinar...
Só os burros estão dispostos
a sofrer sem protestar!
Esta mascarada enorme
com que o mundo nos aldraba,
dura enquanto o povo dorme,
quando ele acordar, acaba.
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